No século IV, Santo Agostinho dizia saber o que era o tempo, mas ter dificuldade de defini-lo. A humanidade estuda a evolução dos tempos. A Meteorologia estuda a variação dos climas e a História descreve a sucessão das épocas [...]. Mas, enquanto os capitalistas crêem, religiosamente, que tempo é dinheiro, muitas comunidades tradicionais continuam sem relógio. Ainda há muita gente no campo e mesmo na cidade que dedica o melhor de seu tempo para conviver, conversar e estar com as pessoas que ama. Vivem o tempo de forma mais gratuita, na relação uns com os outros, com a natureza e com o mistério, fonte de tudo. Em comunidades indígenas que ainda podem viver sua cultura original, homens e mulheres adultos, que devem prover o alimento e organizar o cotidiano, aprendem, [com as] crianças, a produzir sem perder a dimensão lúdica da vida. Recordam a nossa sociedade que o tempo pode ser pensado e vivido como graça e oportunidade de relacionamento e doação. Todos fazem confidências à lua e namoram as estrelas. A eles, as estrelas-guias se queixam dos homens sérios que trabalham tanto que nem mais escutam os sussurros do céu e perdem a orientação nas noites escuras da vida.
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